Mendoza (Parte 1): Vinho e Bodegas!

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Mendoza é uma cidade pequena, charmosa e muito simpática, pertinho da cordilheira dos Andes. Quem me conhece sabe que eu morei lá por três meses por conta de um intercâmbio de mestrado, de abril a julho desse ano. Bom, como tive um bocado de tempo para conhecer a cidade, vou dar algumas dicas para quem está pensando em conhecer essa região! Para facilitar a vida, vou dividir em vários posts, ok? Esse aqui é sobre Vinho e Bodegas, logo faço um sobre o que conhecer na cidade, depois outros com dicas de gastronomia e compras.

A província de Mendoza é famosa pelo seu vinho, a região é responsável por 70% da produção da Argentina. O carro chefe é o Malbec, uma variedade de vinha com origem na França, mas que se deu muito bem no clima seco e solo arenoso de Mendoza. Mas olha, não deixe de provar outras variedades também, viu? Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Bonarda, Sauvignon Blanc, Pinot Noir…e muito mais que nem lembro! Ah sim, e dê atenção especial ao Torrontés (branco e seco) que é a única uva de origem argentina com qualidade para a produção de vinho! Só pra esclarecer, eu nunca fui aficionada por vinho, era do tipo que só bebericava aqui e ali quando meu pai estava tomando. Nem sabia a diferença de vinho jovem pra vinho reserva. Morando lá aprendi algumas coisas, mas ainda estou bem longe de realmente entender sobre vinho, é um assunto pra lá de complexo! Ah, a melhor época para visitar os vinhedos é entre fevereiro e primeiras semanas de abril, quando as uvas ainda não foram colhidas. Em março é a época da Vendimia, uma festa super famosa que comemora a colheita e elege uma miss para cada região da província.

Mas enfim, o passeio nas regiões de produção de vinho de Mendoza são passagem obrigatória para quem está conhecendo a cidade. As paisagens são deslumbrantes e em cada bodega é uma nova aula, é super gostoso, mesmo pra quem não curte vinho. Nos arredores da cidade de Mendoza existem três grandes regiões produtoras de vinho: Maipú, Lujan de Cuyo e Valle de Uco. Para visitar essas regiões você pode optar por várias maneiras: Alugar um carro e ir dirigindo (cerca de 600 pesos), comprar um passeio de um empresa de turismo e ir de van com guia (cerca de 160~180U$ por pessoa), comprar um passeio de uma empresa de turismo para ir de bicicleta (cerca de 135 pesos), alugar uma van com motorista (800 pesos), pegar o Busvitivinicola (130 pesos por pessoa, somente para Lujan de Cuyo) ou a última e secreta (para maioria dos turistas) se inscrever gratuitamente em algum dos passeios de bicicleta por bodegas da prefeitura. Essa última opção pode até parecer boa, mas tem seus poréns, já explico mais adiante!

Lembrando que somente o passeio turístico de van com guia não incluem gastos adicionais ( e também possui almoço). Todos os demais você paga apenas pelo transporte/aluguel e a cada bodega deve pagar o valor do passeio e degustação!

Eu tive a sorte de ir nas três regiões, vou falar um pouquinho sobre cada uma, vamos lá?

MAIPÚ

Essa região é a mais tradicional de Mendoza. Ainda utiliza muito das técnicas mais antigas de irrigação e manuseio das vinhas. Se você decidir ir para esta região, não deixe de conhecer bodegas mais antigas, como a Familia di Tommaso. Nós fomos logo nos primeiros dias, pagamos 135 pesos por pessoa pelo passeio de bicicleta, contratamos pela empresa de turismo do Hostel Confluencia (até encontrar um lugar para alugar nós nos hospedamos nesse hostel). Um carro passou para nos pegar no hostel e levar até a Bikes and Wines, em Maipú. O carro atrasou cerca de 40 minutos, depois ainda passou pegar mais uma pessoa em outro lugar, fazendo com que chegássemos na Bikes and Wines pra lá de 09:30. O atraso nem importou muito, pois o lugar estava vazio e fechado! Resultado, até aparecer alguém, explicar, nos dar os mapas e as bicicletas já era pra lá de 11:30. Isso diminuiu a quantidade de bodegas que podíamos visitar. Bom, mas lá dava para escolher o lugar que quisesse na hora, sem precisar marcar a visita. A Bikes and Wines deu alguns folhetos que davam algum descontos em determinados lugares do passeio.  mAIUPU

Familia di Tommaso

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Familia di Tommaso é a bodega mais antiga de Maipú. O passeio mostra os antigos tanques de concreto onde os primeiros imigrantes italianos fermentavam o vinho, as barricas de carvalho francês e americano e os vinhos que compõem a produção da empresa. Atualmente esses tanques são usados somente para armazenagem de garrafas, a fermentação é feita em outro edifício que não está incluído no passeio. Por último tem uma degustação de três vinhos, se me lembro bem foram dois malbecs, um jovem e um reserva, e um vinho de sobremesa. O preço por pessoa é de apenas 20 pesos argentinos (cerca de 8 reais).

BODEGA MEVI

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Para almoçar fomos na MEVI, essa das fotos aí de cima! O lugar tem uma vista muito bonita da cordilheira e dos vinhedos, além de ter almoço por um preço bem acessível se comparada a outras bodegas. O prato de massa + uma taça de vinho Bonarda saiu por miseros 42 pesos (16 reais), considerando o ambiente gostoso e a vista, super valeu a pena! Ah, eles também cultivam olivas por lá, então se bater a curiosidade dá para pedir uma porção para provar…se não me engano o preço era cerca de 18 pesos (7 reais).

Trapiche

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Infelizmente, por conta de todo o atraso da “liberação” das bicicletas, não conseguimos chegar a tempo de pegar a última visita e degustação do dia na Trapiche! Chegamos lá por volta das 16hrs e o segurança só nos deixou entrar para bater uma foto e sair =/. Nesse meio tempo a bicicleta do Arthur quebrou, o pedal caiu! Pra vocês verem a qualidade das bicicletas que davam pra gente, haha. O segurança da Trapiche então ligou para o Santiago, moço da Bikes and Wines, que então nos buscou lá de carro. Outros lugares para visitar em Maipú que não conseguimos ir foi o Museu do vinho e a Familia Zuccardi.

Em Maipú também existem lojinhas de produtos artesanais, cervejaria artesanal, loja de licores e lugares produtores de olivas. Nós passamos rapidinho em uma cervejaria, que não era bem o que estávamos esperando, e depois em duas lojinhas de produtos artesanais. Nas lojinhas eu mesma não comprei nada, mas meu namorado levou um licor de cereja.

As minhas compras nesse dia se resumiram a um vinho de sobremesa na Familia di Tommaso (presente para meu pai). A bodega deles entrega em casa/hotel/hostel na cidade se você solicitar, pelo adicional de 20 pesos.

O que achei do passeio no geral: Gostei das bodegas que visitamos, porém não contrataria o serviço de bicicleta se soubesse de todos os problemas! Além do atraso que nos fez ver menos coisas, ainda teve o pedal solto do Arthur. E olha, Maipú é a região mais movimentada, com muitos caminhões…e não existe ciclovia na maior parte da região!! Ou seja, fiquei morrendo de medo de ser atropelada, várias vezes, hehe. Mas olha, a bicicleta pode ser uma método bem gostoso, desde que em outra região e com mais segurança (como no Valle de Uco).

LUJAN DE CUYO

Lujan é uma região com maior quantidade de bodegas. Ali se mistura o tradicional com o tecnológico, tem um pouquinho de tudo. Nesse passeio fomos de van alugada com motorista, sem guia. É diferente de comprar o passeio por pessoa pois assim pagamos um valor fixo pela van (800 pesos, cerca de 304 reais) e o restante negociávamos diretamente com as bodegas. Quando se vai assim, “por conta”, você tem que ligar de antemão nas bodegas e marcar a visita com degustação, o almoço e perguntar os preços, ok? Nós estávamos em 4 pessoas, meus pais vieram me visitar e aproveitaram para conhecer Mendoza. Escolhemos começar o passeio visitando a Catena Zapata, depois a Terrazas de los Andes (onde almoçamos) e por último a Luigi Bosca.

Catena Zapata

Fomos muito bem recepcionados, inclusive a moça da Catena falava português. Fizemos o passeio pela bodega finalizando com a degustação. O passeio + degustação custaram 100 pesos (cerca de 38 reais) por pessoa.

Catena Zapata

Terrazas de Los Andes

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Na Terrazas o atendimento também foi ótimo. Acho que a guia foi uma das mais explicativas de todas as bodegas que fomos! Além do passeio e da degustação, também almoçamos por lá. O ambiente do almoço é super aconchegante, claro, bonito e com muita madeira. Aqui a coisa foi muito diferente do MEVI, são realmente pratos de chef. Combinações exóticas e muito gostosas…e claro, mega bem apresentadas. Foram 3 passos, entrada, prato principal e sobremesa, todos acompanhados com vinhos da marca. O preço por pessoa para passeio + degustação + almoço foi de 300 pesos (114 reais).

Luigi Bosca

Luigi Bosca

A Luigi Bosca foi a última bodega a visitarmos. Confesso que o passeio e o guia me decepcionaram um pouco, sabe? Tudo bem que estávamos cansados e rolando do almoço, mas achei o guia super parado. O passeio foi rápido, na bodega deles ainda se usam os tanques antigos de concreto para fermentação (mas revestido com tinta epóxi). A bodega é bem menos luxuosa do que as outras, a recepção é uma sala de escritório simples com várias pessoas trabalhando. Além disso, na hora da degustação o guia não trocou e nem enxaguou as taças entre cada vinho, misturando e comprometendo o gosto de cada um. Se soubesse disso não teria marcado lá….e foi por pouco que não troquei a Luigi Bosca pela Belasco de Baquedano. Pra quem estiver indo agora, recomendo muito conhecer outra bodega no lugar dessa, viu? O vinho deles é bom até, mas nada demais. Tem outros muito melhores em Mendoza.

VALLE DE UCO

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Finalmente, a última e mais tecnológica região de produção de vinho de Mendoza! É a mais recente, sendo que as vinícolas que se instalaram aqui possuem cerca de 15 anos.  Segundo o guia da bodega Atamisque, para compensar a juventude das vinhas eles fazem uso de podas que obrigam a planta a concentrar a qualidade em menos frutos (vinhas antigas possuem melhor qualidade pois produzem naturalmente menos cachos de uva, enquanto as jovens dão abundância de frutos).  Nessa região fomos duas vezes, uma de bicicleta, pela municipalidad de Mendoza (sem custo algum) e outra com um passeio turistíco pela Trout and Wine, com o custo de 165 U$ por pessoa. O passeio de bicicleta foi gostoso, primeiro fomos de ônibus (já que lá é a região mais distante, cerca de 1 hora da cidade) e depois fizemos um trajeto de bicicleta, em um grupo grande. A caminhonete da guarda municipal nos acompanhou o tempo todo e o grupo não se dividia (como aconteceu em Maipú). O passeio de bicicleta em si foi gostoso, o tempo estava bom e deu para observar bem as paisagens já que por lá quase não há movimento de carros. Mas por outro lado, a única bodega que visitamos foi uma bem pequena de produção artesanal, chamada Appon. Foi interessante, mas pra quem fica em Mendoza poucos dias, não sei se valeria a pena ir nesse passeio só por uma bodega simples. Já o preço do passeio turístico pago que fizemos depois é determinado pela quantidade de pessoas que vão, no nosso caso fomos novamente em 4, dessa vez com os pais do Arthur. Nesse valor de 165 U$ está incluso o transporte, passeio e degustação em duas bodegas, degustação em outra e o almoço com cinco passos. Fomos na Atamisque, Salentein (onde almoçamos) e Andeluna (somente degustação).

ATAMISQUE

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Gostei muito da Atamisque! Nos atenderam super bem. Essa bodega tem um conceito um pouco diferente, a produção é bem pequena e super tecnológica e seletiva. A colheita é feita somente por mulheres e os frutos são separados manualmente para retirada de qualquer um que esteja comprometido. A armazenagem nos tonéis de fermentação são feitas apenas com ajuda da gravidade (viu ali na foto?), já que o bombeamento poderia estragar parte dos frutos. Logo na entrada é possível ver o laboratório onde são feitos os testes de qualidade nas diferentes etapas do produto. A arquitetura é perfeita! O ex casal Eliana Bórmida e Mario Yanzón  são os arquitetos responsáveis pelo projeto. No interior as janelas são posicionadas de maneira a pegar o melhor da paisagem, transformando em um quadro. O ambiente é bem minimalista, com muito uso de concreto e pedra. Os vinhos são muito bons, em especial o Catalpa Malbec e Pinot Noir. Infelizmente a degustação na Atamisque não incluía a linha mais cara, que leva o próprio nome da bodega. Fiquei só na curiosidade. Super recomendo conhecer! Ah, para comprar você só encontra em lojas de vinho ou diretamente na bodega, nos supermercados é raríssimo de ver (além da produção ser pequena, 95% é destinado para exportação). Pra quem mora em Curitiba e quiser provar, já vi no mercado municipal na Vino (o preço varia entre 52,00 a 78,00 R$). Por lá, uma garrafa Catalpa (vinho intermediário, com parte envelhecido por 6 meses em barrica de carvalho francês) custa 90 a 95 pesos (cerca de 36R$).

SALENTEIN

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A Salentein é enorme! O projeto também é da Eliana Bórmida e do Mario Yanzón, outra perfeição, porém em tamanho muito maior! A produção aqui é cavalar mesmo, hehe. O atendimento foi igualmente ok, o passeio é mais longo já que tem mais “chão” para percorrer. A degustação foi feita junto com o almoço de cinco passos. Aqui também, comida de chef bonitinha e muito gostosa! E todo mundo rolando pelo resto do dia. A Salentein ainda tem galeria de arte, loja e o restaurante é de verdade mesmo (lá na Terrazas era apenas uma sala com uma mesa, não vimos outras pessoas por lá). Foi o único lugar que vi fermentarem o vinho também em tóneis de carvalho (ao invés do aço inoxidável), porém isso é apenas para as linhas Numina e Primus (mais tops). Os vinhos são muito bons, em especial o Salentein Reserva malbec. Nós provamos o Numina merlot e o Primus malbec. São vinhos bons, mas confesso que pra mim, que comecei a pouco a tomar mais vinho, ainda são muito encorpados. A Salentein e a Atamisque com certeza foram as bodegas que mais gostei dentro todas que conheci!

ANDELUNA

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Na Andeluna não chegamos a fazer o passeio, apenas degustamos. O lugar é uma graça, bem aconchegante. Por lá provamos várias variedades de vinho, incluindo uma que até então não conhecia: Cabernet Franc. Olha, essa uva aí é a que faz o vinho mais cavalar que eu já conheci! Mas o pior de tudo é que não é ruim…quer dizer, pra dar uns dois golinhos, porque se for pra tomar uma taça inteira creio que não conseguiria!

Enfim, essas são as três regiões produtoras de vinho mais próximas de Mendoza e fáceis de conseguir passeios. Ah, uma dica é visitar no máximo 3 bodegas por dia, pois é muito cansativo! Caso interesse, segue alguns links úteis:

Bike and Wines  | Trout & Wine | Busvitivinicola | Municipalidad de Mendoza (Agenda cultural)  |

Se você estiver indo para Mendoza, não deixe de olhar a agenda cultural nesse link acima, da Municipalidad de Mendoza! Existem vários eventos todo mês, incluindo passeios de bicicleta pelas bodegas, pré-cordilheira, eventos de Vino x Tango (com dançarinos e vinho), eventos de degustação de uma determinada marca de vinho ou mesmo até eventos ainda mais legais, como a Peatonal del Vino (uma rua fechada com diversas barracas de bodegas e com degustação gratuita em todas elas, além de show de tango e comida). Além do site, também é possível pegar o livrinho com a agenda cultural mensal nos principais museus e eventos culturais da cidade. Vou falar mais um pouquinho sobre isso num próximo post, com lugares para visitar e atividades culturais. Ah, também fique de olho em lojas de vinhos, na semana do malbec teve degustação por apenas 50 pesos na Sol & Vino, dava pra provar vários e vários, a sua escolha! Vale a pena conferir a Winery e a Vines of Mendoza também.

Para comprar vinho: Sol&Vino, Winery e Carrefour. O Carrefour costuma ter promoções ótimas de vinho nos finais de semana, tem que conferir no site porque os dias não são sempre os mesmos! É promoção do tipo leve 2 iguais e pague 50% a menos na segunda garrafa. Compramos muitos vinhos assim, hehe. Eu recomendo provar: Portillo Tempranillo (Salentein, cerca de 30 pesos), Salentein Reserva Malbec (cerca de 80 pesos), Callia tempranillo (cerca de 50 pesos), Catalpa malbec e pinot noir (Atamisque, cerca de 95 pesos), Septima Shiraz (cerca de 50 pesos), El Enimigo malbec 2009 (Catena Zapata, cerca de 230 pesos), Dona Silvina reserva malbec 2009 (cerca de 200 pesos), Cavas del 23 Sauvignonasse (branco docinho, uma delícia! cerca de 40 pesos), Alamos moscatel de alejandria (branco e doce, cerca de 60 pesos), Terrazas de los Andes Torrontés (branco e seco, cerca de 80 pesos).

Ufa…finalmente terminei, hehe. Pra quem já foi, o que acharam de Mendoza? Pra quem não foi, é uma viagem que compensa, viu? Não sai muito caro por ser aqui mais pertinho e com a situação da Argentina dá para conseguir fazer o dinheiro render (dólar blue), mas explico melhor em um próximo post.

Fernanda

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2 opiniões sobre “Mendoza (Parte 1): Vinho e Bodegas!

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